Segunda-feira, Junho 17, 2024
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Em segundo julgamento, homem é condenado a 12 anos de prisão em Timbó por homicídio em Doutor Pedrinho

O crime é o mesmo que condenou o ex-vereador Ivonir Scherer e outras pessoas

Foi condenado a 12 anos de reclusão o último réu envolvido em uma briga que terminou em homicídio, em fevereiro de 2014, na localidade de Forcação, em Doutor Pedrinho. O Conselho de Sentença de Timbó acatou a tese do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para condenar Pedro Henrique Ribeiro por homicídio com a qualificadora de meio cruel contra Jorge Marafigo. Esse foi o segundo julgamento do réu. O júri ocorreu na última quinta-feira (16). 

Os outros condenados pelo mesmo crime são o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Timbó, Ivonir José Scherer, Juarez Ribeiro, Siegfried de Souza e Artur de Souza. O crime se refere ao homicídio contra o empresário Jorge Marafigo, além da tentativa de homicídio contra Rodrigo Odorizzi, ambos ocorridos em 21 de fevereiro de 2014 naquela localidade.

Em agosto de 2022, o MPSC entrou com um recurso de apelação contra a decisão dos jurados, que desclassificaram a tese de crime doloso contra a vida. Na ocasião, Pedro Henrique foi condenado a quatro anos e 15 dias de detenção em regime aberto pelo crime de lesão corporal. Em 8 de dezembro do mesmo ano, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) anulou o júri e determinou um novo julgamento. Na mesma decisão, o TJSC ajustou a pena imposta a outro réu do caso. Siegfried de Souza havia sido condenado a 14 anos, por motivo fútil e meio cruel, e teve a pena corrigida para 21 anos de reclusão. 

O réu e mais quatro homens – que já cumprem pena – se envolveram em uma briga em um bar na rodovia SC-477, em Doutor Pedrinho, que resultou em uma tentativa de homicídio e em um homicídio consumado. A confusão começou por causa de uma discussão entre um dos condenados e a vítima Rodrigo Odorizzi, que foi agredido com um taco de sinuca, mas conseguiu fugir do local. A outra vítima, Jorge Marafigo, permaneceu no estabelecimento. Segundo a denúncia do MPSC, ele foi arrastado pelos agressores, que bateram a cabeça dele contra um poste e lhe deram chutes no rosto. A vítima não resistiu às agressões. 

Além dos dois que já haviam enfrentado o júri popular, em setembro de 2022, os Promotores de Justiça Alexandre Daura Serratine e Tiago Davi Schmitt obtiveram a condenação de Ivonir José Scherer – ex-presidente da Câmara de Vereadores de Timbó – e Artur de Souza a 33 anos e quatro meses de reclusão cada um, por tentativa de homicídio e homicídio duplamente qualificado. Outro envolvido, Juarez Ribeiro, foi condenado a 14 anos de reclusão por homicídio duplamente qualificado. 

Na época, o juiz determinou a cassação do parlamentar Ivonir José Scherer, pois a pena de reclusão superava quatro anos e, sobretudo, por ter sido condenado pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Timbó, em regime fechado, por dois crimes dolosos contra a vida, situação incompatível com o exercício da função pública.   

O Juízo da Vara Criminal de Timbó autorizou Pedro Henrique a recorrer em liberdade, pois, além de ter respondido solto durante todo o processo, não havia fatos novos que justificassem a decretação da prisão preventiva. 

Relembre o crime em detalhes

Veja pelo texto que está nos autos do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, os detalhes de como o crime de homicídio ocorreu:

“Em data de 21 de fevereiro de 2014 (sexta-feira), por volta das 23h40min, na rodovia estadual SC-477, localidade de Forcação, município de Doutor Pedrinho/SC, os denunciados Artur de Souza, Ivonir José Schrer, Juarez Ribeiro, Pedro Henrique Ribeiro e Siegfried de Souza, com manifesta animus necandi, espancaram a vítima Jorge Marafigo até a morte, além de causarem lesões corporais na vítima Rodrigo Odorizzi.”

“Segundo costa dos autos, na ocasião dos fatos, no estabelecimento comercial, denominado Bar da Marli, haviam várias pessoas reunidas em uma comemoração, dentre elas os denunciados e as vítimas, sendo que em certo momento houve um desentendimento, por motivo fútil, entre a vítima Rodrigo Odorizzi e o denunciado Artur de Souza.”

“Com o ânimo exaltado, o denunciado Artur e a vítima Rodrigo continuaram a discussão do lado externo do estabelecimento, sendo que o denunciado Artur de Souza, com manifesta intenção de brigar, impediu que a vítima deixasse o local, tirando-a à força da motocicleta, enquanto o denunciado Pedro Henrique Ribeiro deu ‘uma gravata’ na vítima Jorge Marafigo.
Iniciou-se então um tumulto, envolvendo os denunciados Artur, Pedro e as vítimas Jorge e Rodrigo, sendo que com auxílio de terceiros, foi possível acalmar os ânimos e então, as vítimas pensando que a intriga havia cessado, tentaram deixar o local, no que foram impedidas novamente pelo denunciado Artur que então passou a agredir a vítima Rodrigo com um taco de sinuca, enquanto os denunciados Juarez e Pedro, passaram a agredir a vítima Jorge, sendo que Juarez segurava Jorge pelo pescoço, enquanto Pedro o agredia com o taco de sinuca.”

“Apurou-se que ali instalou-se uma confusão generalizada, sendo que Rodrigo foi agredido por Ivonir, enquanto os outros denunciados foram para cima de Jorge, e sem dar chance de defesa à vítima Jorge, passaram a agredi-la com chutes, socos e com o taco de sinuca, tendo a testemunha Joselino Spezzia, conseguido livrar a vítima Rodrigo Odorizzi, das agressões, o qual saiu correndo do local, sentido à Aldeia Bugio com intuito de buscar socorro.”

“Tocante à vítima Jorge Marafigo, esta não teve a mesma sorte, pois, no momento que Jorge estava sendo agredido por Pedro e Juarez, a testemunha Joselino, empurrou os dois com a intenção de salvar a vítima, mas chegou Siegfried de Souza, que com auxílio de Juarez, arrastou Jorge aparentemente desacordado até a ponte e lá bateram o mesmo com força contra a ponte, ocasião em que o denunciado Siegfried berrava: ‘joga no rio, joga no rio’.”

“Não satisfeitos, o denunciado Ivonir foi até a ponte e deu chutes violentos no rosto de Jorge e disse ‘você veio aqui pra brigar vagabundo?’ em seguida Siegfried deu duas pauladas com um pedaço de madeira de eucalipto na face da mesma vítima. Após deixarem a vítima caída no meio da ponte, os denunciados saíram em direção ao outro lado do rio, tendo a testemunha saído correndo à procura do Rodrigo, o qual estava escondido na casa de um morador próximo do local.”

“Infelizmente a vítima, após ter sido violentamente golpeada, ficou caída sobre a ponte, largada à própria sorte, sendo que no dia seguinte ela foi encontrada no rio Benedito, proximidades onde foi violentamente agredida.
Friso, que mesmo destino trágico, não teve a vítima Rodrigo Odorizzi, porque foi socorrido pela testemunha Joselino Spezzia, possibilitando que se desvencilhasse dos denunciados e empreendesse fuga, já que todos os denunciados envolvidos, tinham a convicta intenção homicida.”

Filho do ex-vereador também foi condenado por outro homicídio

Mateus Scherer, 24 anos, filho do ex-vereador Ivonir Scherer, foi condenado a 18 anos e 6 meses de prisão por homicídio duplamente qualificado praticado contra Geyson Agemiro Mendes no dia 27 de fevereiro de 2021, em Timbó. O crime ocorreu durante uma festa, diante de várias testemunhas, no Beco Fritz, bairro Pomeranos. Relembre o caso

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Redação
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