Quarta-feira, Maio 22, 2024
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Dia Mundial sem Carne: há mais vegetarianos no Brasil entre os mais velhos, de menor renda e escolaridade baixa

Entenda também os tipos de vegetarianismo

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O Dia Mundial sem Carne, ou “MeatOut Day” é celebrado nesta quarta-feira, dia 20 de março. Mas ao contrário do imaginário popular, o número de pessoas que não comem carne no Brasil é maior entre aqueles que possuem renda e escolaridade mais baixas, além de uma faixa etária mais elevada.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope Inteligência) realizada em 2018, 14% dos brasileiros declararam ser vegetarianos de forma integral ou parcial. O percentual representaria hoje cerca de 30 milhões de pessoas espalhadas pelo país.

Apesar de a pesquisa já datar quase seis anos, ainda é uma referência utilizada por estudiosos da área e parâmetro para outras avaliações por parte da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). Segundo a entidade, avaliações mais recentes indicam que mais pessoas reduziriam o consumo de carne se os produtos veganos fossem melhor ofertados, desde a indicação na embalagem até um preço mais acessível.

A pesquisa

O levantamento do Ibope Inteligência foi realizado em abril de 2018 em 142 municípios de todas as regiões do Brasil, com pessoas de 16 anos ou mais e de todos os estratos sócio econômicos. Quando a pergunta, feita na técnica da escala de Likert, questiona se o entrevistado concorda ou discorda em “ser vegetariano”, há um percentual maior de concordância entre as pessoas com mais de 55 anos do que nas demais faixas etárias. Da mesma forma, quem estudou até o 8º ano do fundamental concentra mais do que o dobro de vegetarianos do que naqueles que possuem curso superior.

Na faixa de renda e classe econômica, por exemplo, 19% do público das classes D e E concordam totalmente ou parcialmente que são vegetarianos, contra apenas 9% das classes A e B. Os dados derrubam, em partes, uma crença imaginária de que o vegetarianismo poderia estar mais concentrado em pessoas com maior escolaridade, maior renda e mais jovens, como as gerações Y e Z, por exemplo.

Veja os dados da pesquisa abaixo:

Fonte: Ibope Inteligência 2018. A pesquisa completa pode ser acessada aqui.

Em dados um pouco mais próximos, o Good Food Institute Brasil (GFI Brasil) indica que que 67% dos brasileiros diminuíram o seu consumo de carne em 2022. Mas para o professor da Pós-Graduação de Economia da Universidade Católica de Brasília, Rafael Ferraz, em entrevista ao portal g1, o consumo de carne no Brasil caiu de 2020 a 2022 por conta do aumento dos preços do alimento. A elevação dos preços no período pandemia e pós fez com que boa parte dos brasileiros diminuísse o consumo do produto ou até o abandonasse de vez, seja quanto à carne bovina, ou suína, frango e peixe.

Segundo a pesquisa da GFI Brasil, a redução do consumo de carne ocorreu por dois motivos: 45% devido ao aumento do preço da carne; 52% por escolha própria, sejam motivos de saúde, preocupação com animais e meio ambiente, motivos religiosos ou influência de familiares.

Dia mundial sem carne

O “MeatOut Day” ou Dia Mundial sem Carne foi criado nos Estados Unidos em 1985 por movimentos ambientalistas e de proteção animal. Eles protestavam contra a Semana Nacional da Carne, criada por uma resolução do Senado norte-americano.

Diferenças entre vegetarianismo e veganismo

A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) explica a diferenças entre esses dois termos, que ainda causam dúvidas ou confusão entre os não adeptos:

Vegetarianismo é uma escolha alimentar na qual se tira os produtos de origem animal do cardápio.

Veganismo é um movimento em que seus adeptos evitam, na medida do possível e do praticável, excluir todas as formas de exploração e crueldade contra os animais – seja na alimentação, vestuário ou outras esferas do consumo.

Mas segundo a SVB, há alguns tipos diferentes de vegetarianismo:

a. Ovolactovegetarianismo: Alimentação que não inclui nenhum tipo de carne e pode incluir ovos, leite e laticínios.

b. Lactovegetarianismo: Alimentação que não inclui nenhum tipo de carne e pode incluir leite e laticínios.

c. Ovovegetarianismo: Alimentação que não inclui nenhum tipo de carne e pode incluir ovos.

d. Vegetarianismo estrito: Alimentação que não inclui nenhum produto de origem animal.

e. Alimentação vegana: Alimentação que não inclui nenhum tipo de produto/insumo de origem animal e nenhum deles poderá ter sido testado em animais.

f. Alimentação Plant Based: Alimentação que não utiliza nenhum produto de origem animal (é 100% vegetal) e prioriza os alimentos mais naturais e íntegros (também conhecida como whole food plant based dieta) evitando o consumo de alimentos refinados e processados.

g. Flexitarianismo: Alimentação que propõe a redução do consumo de alimentos de origem animal priorizando os vegetais na rotina alimentar. Pode ser colocada em prática de diversas formas como por exemplo praticando a Segunda Sem Carne (campanha da SVB que propõe a retirada total de alimentos de origem animal 1 x por semana da dieta), praticando refeições sem carne, leite, ovos e derivados alguns dias da semana, trocando no dia a dia produtos de origem animal por similares vegetais como leite, carne e outros.

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Arnaldo Zimmermann
Arnaldo Zimmermann é jornalista (Mtb 0005946/SC), com graduação, mestrado e doutorado em Jornalismo. Também possui graduação em Letras e especialização em Administração em Publicidade e Propaganda. É professor universitário desde 2001 e profissional de diversos veículos de comunicação do Vale do Itajaí desde 1985.
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