Quinta-feira, Junho 18, 2026
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TCE determina suspensão de pagamento da obra da Via Expressa em Blumenau

Tribunal identificou possíveis irregularidades nos valores do termo aditivo firmado com a empresa executora

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O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) determinou, de forma cautelar, que a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (SIE) suspenda pagamentos à empresa responsável pelas obras de implantação e pavimentação do acesso norte de Blumenau, que é o prolongamento da Via Expressa. O Tribunal identificou possíveis irregularidades relevantes relacionadas ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, formalizado pelo oitavo termo aditivo, no valor de R$ 11,93 milhões. São os pagamentos desse termo que estão suspensos. A obra tem valor total de R$ 138,72 milhões.

“A instrução técnica evidenciou relevantes fragilidades na base de cálculo do reequilíbrio. Tais constatações, mesmo em sede de cognição sumária, são suficientes para fundamentar o pedido de medida cautelar”, explica o relator, conselheiro Wilson Wan-Dall, em seu despacho.

A Diretoria de Licitações e Contratações (DLC) identificou uma série de inconsistências: ausência de comprovação robusta dos custos de administração local e manutenção de canteiro; inexistência de cálculo independente por parte da administração, para fins de referenciar o pleito; indícios de manutenção de equipes e estruturas sem comprovação de efetiva prestação de serviços durante períodos de paralisação; falta de elementos probatórios da vinculação exclusiva e efetiva dos agentes elencados na obra, suficientes para justificar sua remuneração mensal integral pelo erário, com possível sobreposição de profissional em contrato; e ausência de comprovação da vinculação exclusiva da mão de obra ao contrato, gerando incompatibilidade entre a equipe mínima indicada como necessária e aquela considerada para fins de cálculo.

Prolongamento da Via Expressa em Blumenau. Foto: Divulgação/SIE

Outro apontamento feito pela DLC se refere ao cronograma de execução. Verificou-se que parcela de R$ 5,13 milhões do reequilíbrio foi paga em períodos de execução regular do contrato, sem que houvesse demonstração de proporcionalidade com o avanço físico da obra. Foi constatado ainda que os valores pagos já superam o montante proporcionalmente devido, considerando o percentual executado de 18,34%, enquanto o valor atribuído ao canteiro aproxima-se do custo total estimado para toda a obra.

“Além disso, não foram apresentados elementos que comprovem acréscimos efetivos de custos durante a execução, sendo relevante o fato de que todas as medições foram regularmente atestadas. Soma-se a isso a apresentação tardia dos cálculos, relativos a períodos iniciados em 2014, apenas em 2024, circunstância que fragiliza a comprovação do alegado desequilíbrio e compromete a boa-fé objetiva”, explica o conselheiro em sua decisão.

A obra

As obras do prolongamento da via iniciaram em 2014, entre os dois governos de Raimundo Colombo (PSD), passando ainda por toda a gestão do ex-governador Carlos Moisés (Republicanos) e do atual, Jorginho Melo (PL). Só que as obras, que já eram executadas em ritmo lento, foram totalmente paralisadas em 2024.

Dos 15 quilômetros do projeto original, apenas três foram executados.

O governador chegou a dizer, no ano passado, que a implantação e pavimentação da via não estava entre as prioridades, pois era um problema que vinha de governos anteriores. Mais tarde, ele voltou atrás e anunciou a retomada da obra, com investimento de R$ 29 milhões no trecho de três quilômetros.

O valor total da obra é de R$ 138,7 milhões e previsão inicial de conclusão para 2017. Ocorre que, com novos aditivos, o valor original tende a aumentar.

O projeto, de 2012, prevê a ligação entre a SC-108, a partir do pé da serra da Vila Itoupava, e a BR-470.

Segundo o governador Jorginho Mello (PL), com a retomadas, o prazo para finalização dos trabalhos para os três quilômetros em execução seria de 18 meses, em outubro de 2027. Agora, aguarda-se uma posição do governo estadual para que os moradores de Blumenau e região possam saber qual será o futuro do andamento da obra.

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Redação
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