O clima esquentou na Câmara de Blumenau na sessão desta quinta-feira (16), com pronunciamentos contundentes contra a gestão do prefeito Egídio Ferrari (PL). Além dos vereadores Adriano Pereira e Jean Volpato, do PT, Gilson de Souza (União) e Diego Nasato (NOVO) fizeram críticas fortes à prefeitura.
Da tribuna, Nasato afirmou que ele e o seu colega de bancada Bruno Win não fazem oposição ao prefeito Egídio Ferrari, mas cobrou mais diálogo entre o Executivo e o Legislativo. A fala inicial se referia à ausência de retorno das demandas encaminhadas à Secretaria de Manutenção e Conservação Urbana da prefeitura.
“Nós não somos oposição ao governo Egídio, nós somos vereadores independentes e a gente espera ser tratado com a máxima reciprocidade”, declarou.
Na sequência, porém, endureceu o tom das críticas e afirmou que, caso o governo passe a tratá-los como adversários políticos, a postura poderá mudar.
“Se o governo Egídio quiser que a gente seja oposição, vai ser muito fácil ser oposição ao governo Egídio, porque o governo é péssimo, é ruim. São dois anos de governo péssimo”, disse.
Confira no vídeo um trecho do pronunciamento:
Nasato também criticou a comunicação da administração municipal com os vereadores. Segundo ele, nem mesmo situações simples, como problemas em uma tubulação rompida, estariam sendo respondidas adequadamente aos parlamentares.
O vereador ainda afirmou que a fragilidade da base governista pode abrir espaço para novas investigações no Legislativo. “Se esse governo quiser, ele vai ter uma CPI por mês da testa dele”, declarou, ao cobrar que o Executivo passe a valorizar a interlocução com os vereadores e estabeleça um fluxo para responder às demandas encaminhadas pelos parlamentares.
Críticas de outros vereadores
Em outro momento da sessão, o vereador Jean Volpato levou à tribuna o fato recente sobre a anulação pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) do decreto municipal que revogou o quinto aditivo do contrato de concessão do esgoto. Ele lembra do histórico do caso, atribuindo à gestão atual a responsabilidade pela conta que o blumenauense provavelmente terá de pagar agora.
Em aparte, o vereador Gilson de Souza sugeriu que o prefeito Egídio Ferrari assinou o 5º aditivo do esgotamento sanitário, em 2025, porque “a turma do João Paulo que administra essa cidade impôs que ele assinasse”. Ele disse que o prefeito teria criado “uma narrativa dizendo que foi obrigado a assinar, mas que o tempo depois foi mostrando que ele não era obrigado a assinar”. Souza foi mais duro com o prefeito quando se referiu a um “cidadão que não tem a capacidade de sequer ler alguma coisa ou analisar a situação”.
Base sólida na Câmara?
O prefeito Egídio ainda tem maioria na Câmara de Blumenau, mas começa a fazer contas para manter o controle nas futuras votações e movimentações na casa. Dos 15 vereadores, ele não pode contar com os dois petistas da oposição e nem com os três vereadores independentes (Nasato, Win e Gilson Souza). A relação com o presidente Ito de Souza nunca voltou a ser amistosa como se previa.
Nessa conta de 9 contra 6, será preciso aguardar o resultado das eleições deste ano, com candidaturas de alguns dos vereadores, e o desfecho do caso do vereador afastado Almir Vieira (PP), para só então saber se o cálculo do prefeito ficará mais apertado ou não para o futuro.
Por enquanto, a própria gestão municipal joga contra o futuro do prefeito.






