A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava a morte da jovem gestante Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e do bebê que ela esperava, e indiciou dois médicos do Hospital Beatriz Ramos, de Indaial, pelo crime de homicídio culposo — quando não há intenção de matar. O caso ocorreu após uma sequência de atendimentos no hospital, antes da transferência da paciente para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau.
Maria Luiza morreu no dia 2 de abril deste ano. Grávida de sete meses, ela também perdeu o bebê após ser submetida a uma cesariana de emergência em Blumenau. A causa da morte constatada pela Polícia Científica foi síndrome infecciosa sistêmica aguda grave, segundo o delegado Aderlan Camargo, responsável pelas investigações.
Segundo a investigação, a jovem procurou atendimento no Hospital Beatriz Ramos quatro vezes entre os dias 30 de março e 2 de abril, apresentando dores pelo corpo e febre. Conforme relatos da família divulgados na época, ela foi liberada nas primeiras consultas e retornou ao hospital com a piora do quadro. Somente após novo agravamento foi transferida para Blumenau, onde chegou com um quadro de infecção generalizada.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação foi concluída com o indiciamento de dois médicos com base nas provas reunidas ao longo dos últimos meses. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou adota outro entendimento jurídico.
Para chegar à conclusão, os investigadores analisaram os prontuários médicos dos hospitais envolvidos, documentos do Samu e outros registros relacionados ao atendimento da paciente. Também foram produzidos três laudos periciais especializados, além de duas perícias complementares, consideradas fundamentais para esclarecer a causa da morte e avaliar as condutas adotadas durante os atendimentos.
Ao longo da investigação, a Polícia Civil ouviu 20 pessoas, entre testemunhas e profissionais investigados. Segundo a corporação, os advogados dos médicos tiveram acesso aos autos durante toda a apuração, conforme determina a legislação.

Em nota, a Polícia Civil destacou ainda a importância do trabalho da Polícia Científica, cujos laudos periciais embasaram a conclusão do inquérito.
O caso teve grande repercussão em Santa Catarina. Dias após a morte da jovem, o Hospital Beatriz Ramos anunciou o afastamento preventivo de um dos médicos envolvidos no atendimento e informou que também realizava uma apuração interna. O hospital ainda comunicou, na ocasião, que havia encaminhado o caso ao Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC). Já o Hospital Santo Antônio afirmou que disponibilizou o prontuário da paciente às autoridades competentes, conforme prevê a legislação.
Agora, caberá ao Ministério Público analisar o inquérito e decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia contra os médicos investigados.
Nossa reportagem procurou a assessoria do Hospital Beatriz Ramos, que nos retornou dizendo que a casa de saúde ainda não emitiu um posicionamento após o pedido de indiciamento, mas deverá fazê-lo em breve.
As notas anteriores dos hospitais Beatriz Ramos e Santo Antônio estão aqui e aqui.






