Após quase 18 meses no cargo de prefeito de Blumenau, Egídio Ferrari (PL) ainda precisa mostrar a que veio. Nesse período, sobram vídeos nas redes sociais, mas, quando o assunto é administração pública, o prefeito parece se esquivar, repassando a responsabilidade para sua equipe. Equipe, aliás, formada, em boa parte, por integrantes do governo de seu antecessor, Mário Hildebrandt (PL), a quem Egídio aponta, ainda que de forma indireta, a culpa pelos problemas que enfrenta atualmente.
O delegado fala e age como policial, o que anima uma parcela da torcida, mas desperta questionamentos em outra, aparentemente com a paciência se esgotando após o fim do período de lua de mel.
Sempre que trata de segurança pública, Egídio demonstra estar completamente à vontade. Afinal, esse é o seu território. No discurso desta semana, ao anunciar o rompimento com a empresa responsável pelos serviços de segurança e limpeza nas escolas, investigada pelo Gaeco, falou como delegado, criticou contratos assinados “ao apagar das luzes” do governo anterior e deixou claro, como bom policial, um sonoro “aqui não”. Minutos depois, porém, ao ser questionado sobre a própria administração e a vida real da cidade, pareceu esquecer que seu governo é quase uma extensão das gestões de Mário Hildebrandt e João Paulo Kleinübing, ambos de seu partido, e de onde surgiram os principais escândalos político-financeiros vividos pelo município nos últimos anos.
Até mesmo o atual líder do governo na Câmara foi secretário de Educação e responsável pela assinatura e pela gestão dos contratos da merenda e da segurança que hoje são alvo das críticas do próprio prefeito. Então, trata-se de uma exibição para as telas e de outra postura dentro do gabinete?
A ausência de vereadores da base governista no chamado “anúncio do ano”, durante a coletiva concedida à imprensa na última segunda-feira (8), é outro indício de que a Egídio não falta apenas interesse pela gestão municipal, mas também capacidade de articulação política junto ao Legislativo.
Essa falta de habilidade política também se reflete nas relações externas. Em seu mandato, o atual prefeito já perdeu a policlínica regional para Indaial, deixou de viabilizar a vinda de moradias por meio de um programa habitacional nacional e não se percebem movimentos concretos para trazer à cidade iniciativas de grande relevância, capazes de marcar sua gestão.
A questão é: será possível sobreviver politicamente apenas com discursos sobre “cadeia” e vídeos para a internet abordando moradores em situação de rua e removendo pichações até o fim do mandato? Imagina-se que os 51% dos eleitores de Blumenau esperavam um pouco mais.
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