Quinta-feira, Junho 4, 2026
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Desemprego, alcoolismo e problemas com a família são os principais motivos de moradia na rua em Blumenau

Blumenau é a 4ª de SC em população em situação de rua

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Um estudo organizado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) mostra que os principais motivos para a moradia na rua em Blumenau são problemas com o desemprego, alcoolismo e drogas, além da relação com familiares. O levantamento abrange 13 municípios catarinenses que, juntos, concentram a maior parte das 11.588 pessoas em situação de rua. Os dados foram baseados no CadÚnico até março de 2025.

Neste cenário, Blumenau é o quarto município de Santa Catarina com o maior número de pessoas em situação de rua. A cidade tem atualmente 494 moradores nessas condições, atrás somente de Florianópolis, Joinville e Itajaí. A capital do estado possui, disparadamente, o maior número de pessoas vivendo nas ruas.

As cidades avaliadas, na ordem de população de rua, foram: Florianópolis (3.678), Joinville (963), Itajaí (783), Blumenau (494), Balneário Camboriú (481), Criciúma (429), São José (376), Palhoça (250), Tubarão (234), Navegantes (201), Biguaçu (196), Itapema (147) e Camboriú (63). Outros municípios do estado, juntos, somam mais 3.293 pessoas nas ruas.

Diagnóstico do morador em situação de rua em Blumenau

68% em Blumenau tem o desemprego como principal motivo para ter ido morar nas ruas. Para 43%, os motivos estão associados ao alcoolismo e uso de drogas. A relação problemática com familiares foi o motivo para 40% dos moradores. Veja no gráfico abaixo todos os motivos, sendo que para alguns moradores há mais de uma causa.

Apenas 2% dos moradores nessas condições vivem com suas famílias nas ruas, contra 98% que foram sozinhos. Quase 45% dizem manter algum contato com parentes com mais frequência, seja mensal, semanal ou até diário. Para 53%, nunca ou quase nunca há algum contato com familiares.

Mais da metade (52,94%) vivem nas ruas há menos de seis meses da última atualização no CadÚnico. Os demais vivem nas ruas há mais tempo. Veja os números no gráfico abaixo:

Fonte: MPSC

O levantamento também investigou onde a pessoa dorme e se é atendida por serviços públicos assistenciais. Veja abaixo:

Fonte: MPSC

Veja no próximo gráfico o perfil do morador em situação de rua em Blumenau, quanto a sexo, idade, raça/cor e outros detalhes.

Fonte: MPSC

O diagnóstico do MPSC levantou que há serviços disponíveis em Blumenau para a população em situação de rua, como CAPS II, i, AD III, Consultório na Rua, Centro POP
Serviço de Abordagem, e três unidades de acolhimento, com 130 vagas no total. No entanto, o estudo identificou algumas fragilidades na estrutura de atendimento, como equipe insuficiente CAPS II, ausência de um CAPS III, equipe insuficiente CAPS AD III, e a ausência de um Comitê Intersetorial de Acompanhamento da Política para a População em Situação de Rua (CIAMP).

Além da criação de CIAMP, o MP recomenda para Blumenau a instalação do serviço de atendimento à pessoa custodiada (APEC) na comarca, “a fim de permitir que as pessoas em situação de rua em audiências de custódia sejam devidamente encaminhadas à rede de apoio de forma célere e eficaz”, conforme apontamento do estudo. As equipes envolvidas no levantamento do MP também sugerem o “fortalecimento dos serviços de atenção à saúde, especialmente voltados à saúde mental e a dependência química, promovendo equipes nos CAPS e melhor adequação de horários para o atendimento à população em situação de rua”.

Para o Coordenador do Centro de Apoio de Direitos Humanos e da Saúde Pública, Promotor de Justiça Eduardo Sens dos Santos, é preciso enxergar essa população para além da vulnerabilidade social. “As pessoas em situação de rua têm direitos garantidos pela Constituição e precisam ser atendidas com dignidade e respeito, por meio de políticas públicas estruturadas e sustentáveis”, destaca.


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Arnaldo Zimmermann
Arnaldo Zimmermann é jornalista (Mtb 0005946/SC), com graduação, mestrado e doutorado em Jornalismo. Também possui graduação em Letras e especialização em Administração em Publicidade e Propaganda. É professor universitário desde 2001 e profissional de diversos veículos de comunicação do Vale do Itajaí desde 1985.
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