O homem que matou a companheira em Blumenau com golpes de faca, dentro de casa, na frente dos dois filhos pequenos, foi condenado a 20 anos de prisão. A condenação saiu nesta semana em julgamento na Comarca de Blumenau.
O crime
O crime ocorreu no dia 4 de março de 2024, na Rua Emílio Alcântara Vianna, bairro Velha Grande, após uma discussão doméstica, e resultou na morte de Eveline Schmitz, que tinha 38 anos na época. Ela morreu por hemorragia aguda no pescoço, em meio ao desespero das crianças, com 2 e 4 anos de idade.
Vizinhos ouviram gritos da mulher e das crianças. Logo após os gritos, o homem de 31 anos teria aparecido na frente da casa com as mãos sujas de sangue. A polícia militar foi acionada e, quando chegou, encontrou o imóvel com as luzes apagadas e a porta trancada. Os policiais passaram a averiguar a residência.
Após um certo tempo, o morador acendeu as luzes da casa. Os policiais conseguiram visualizar que ele estava nu e demonstrava nervosismo. Segundo a 9ª Promotoria de Justiça de Blumenau, o homem teria ido tomar banho e cuidar de um dos filhos após praticar o feminicídio. A atitude evidenciou “extrema frieza” e o desprezo pela vítima e pelos impactos na família, explica a promotora de Justiça Marina Saade Laux, que conduziu a acusação.
Na ocasião, o homem resistiu para abrir a porta aos policiais, mas acabou cedendo. A PM encontrou Eveline caída no chão da casa, com ferimentos na região do pescoço causados por faca. O homem relutou em se entregar. Ele, inclusive, colocou um dos seus filhos no colo, para evitar a ação policial, segundo o relato da guarnição. Mas houve a chegada de reforços de outras guarnições policiais e o homem acabou se entregando.
Uma equipe do Samu prestou atendimento à vítima, mas ela acabou vindo a óbito devido aos ferimentos que sofreu na região do pescoço. O autor do crime foi preso e segue detido no Presídio Regional de Blumenau.
O julgamento
A denúncia apresentada pelo Ministério Pùblico destacou qualificadoras de feminicídio, violência doméstica e aumento de pena pela presença dos filhos, resultando na decisão do Tribunal do Júri que reconheceu a frieza do réu.
‘A brutalidade dos atos praticados, o desprezo pela vida da vítima e a total indiferença ao trauma causado às crianças tornam este caso ainda mais revoltante. A resposta do Ministério Público foi à altura da gravidade do crime, assegurando que a justiça fosse feita”, afirmou a Promotora Marina Saade Laux.
O papel do MPSC e o enfrentamento à violência
A condenação deste caso em Blumenau reforça a importância de respostas rápidas e eficazes por parte dos órgãos do sistema de Justiça, com o objetivo de prevenir tragédias similares e garantir a responsabilização com toda a força da lei.
O MPSC tem reforçado sua atuação com Promotorias especializadas, articulação com instituições de proteção e campanhas de conscientização. Os dados de chamadas ao Ligue 180 em Santa Catarina revelam um aumento de 15% em atendimentos em 2024, refletindo maior uso dos canais de denúncia – um sinal de conscientização – ainda que a violência persista.
Feminicídio: cenário nacional e em Santa Catarina
- -Santa Catarina registrou 51 feminicídios em 2024, o que representa mais de duas ocorrências por mês, além de 30.234 medidas protetivas solicitadas no mesmo período.
- -No primeiro quadrimestre de 2025, foram 14 feminicídios registrados no Estado, segundo o Observatório da Violência contra a Mulher.
- -Brasil registrou 1.459 feminicídios em 2024, a maior série histórica, com média de quatro mulheres mortas por dia.
- -Entre 2015 e 2023, pelo menos 10.655 brasileiras foram vítimas dessa modalidade de homicídio.
Orientação à população:Se você sofre ou conhece alguém em situação de violência doméstica, denuncie. Ligue 180 ou procure a Promotoria de Justiça ou Delegacia Especializada de sua cidade.
+ Identificada a mulher morta pelo companheiro na presença dos filhos em Blumenau






