Domingo, Junho 7, 2026
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Impressões recentes da montanha do Spitzkopf

Por Lauro Bacca*

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No domingo, dia 31 de maio deste 2026, subi, maravilhado, pela primeira vez, a montanha do Spitzkopf, de onde se descortinam paisagens de tirar o fôlego, na exata divisa entre Blumenau e Indaial, numa propriedade ainda privada, dentro do Parque Nacional da Serra do Itajaí. Outras 109 vezes havia percorrido os mesmos seis quilômetros de subida e outro tanto de descida, mas … estas foram no “morro”, não na “montanha” do Spitzkopf, conforme a recente mudança de critérios do IBGE.

Brincadeiras à parte, na verdade, subir a montanha do Spitzkopf, sempre é uma excelente oportunidade de queimar calorias e, principalmente, entrar em contato com natureza de verdade, em meio a florestas nativas muito próximas do que eram as florestas originais, antes da chegada dos colonizadores.

O Spitzkopf agora é um ex-morro, ganhou status de montanha, assim como o Bugerkopf e o da Cruz no Jordão (que alguns, mais recentemente, têm chamado de “Mini Spitzkopf”), o do Cachorro, na Itoupava Central e, talvez, o dos Porcos, originalmente chamado pelos imigrantes alemães de “Schweinerücken”, localizado entre o Centro, Garcia e Velha.

Junto com outros 19 colegas de idades variando entre 17 e 78 anos, fui mostrando algo do que aprendi ao longo das 109 subidas anteriores: algo da paisagem, ecologia, geologia, clima e história do local.

Como pontos positivos, em primeiro lugar, como sempre, a beleza interna da mata e da espetacular paisagem agora preservada de fato pelo Parque Nacional da Serra do Itajaí. Um gigantesco tapete quase contínuo de verde escuro, a cor do verde da floresta original, cobre praticamente todas as encostas e vales na imensa sucessão de morros (e montanhas) nos 360 graus de visão daquela ampla região.

Outro aspecto que causou boa impressão foi o fato de, ao longo dos seis quilômetros, não termos encontrado o mínimo sinal de lixo deixado nas trilhas, ao contrário do que acontecia até uns quinze anos antes, quando ainda se viam embalagens de comida deixadas pelo caminho por visitantes que à época não tinham qualquer consciência ambiental.

Também a vegetação do norte e oeste do topo, toda dizimada por devastador incêndio acontecido ao longo de seis dias, há exatos 31 anos deste 05 de junho em que escrevo essas linhas, tem demonstrado grande resiliência e vitalidade de recuperação. Já a camada de folhas, humo e trama de miríades de finíssimas raízes que ali havia sobre o solo, talvez demore mais uns setenta anos, totalizando cerca de um século para se recuperar. Coisa que somente experientes botânicos e os bons observadores que conheceram o local antes de 05 de junho de 1995 poderão perceber.

Uma das sequelas daquele incêndio é a presença de algumas árvores de uma espécie exótica do gênero Pinus, cujas sementes, até ali levadas pelos ventos, se “aproveitaram” da terra temporariamente nua e ensolarada e ali conseguiram brotar, algo que não acontece mais agora com a vegetação nativa sombreando o solo. Quanto às exóticas “intrusas” que ali conseguiram crescer, nada que não possa ser corrigido, mediante simples eliminação das mesmas do local.

Spitzkopf. Foto: Lauro Bacca

Entre os pontos não positivos, chama atenção a falta de manutenção da trilha, principalmente e justamente na metade superior mais bela, onde não transitam veículos, apenas visitantes a pé. Por falta de valas de drenagem que façam as águas das chuvas saírem imediatamente para fora da trilha, a erosão ali toma conta, causando profundos sulcos no solo, prejudicando a qualidade da trilha, a beleza da paisagem e arrancando dali material que mais abaixo vai ajudar a assorear os cursos d’água.

Isso precisa ser urgentemente corrigido, com orientação de um bom “microcirurgião de paisagem”, um tipo de habilidade raríssima e que precisaria formar escola na região e no país.

*Lauro Eduardo Bacca é naturalista e ambientalista

O conteúdo desta publicação é de responsabilidade do autor.

Leia outros textos do autor aqui.

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Redação
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