“Não são só 20 centavos.” É difícil não lembrar do lema das jornadas de junho de 2013 após o anúncio do aumento de 20 centavos na tarifa embarcada do ônibus em Blumenau, divulgado pela prefeitura na última segunda-feira (9).
Há quase 13 anos, multidões foram às ruas em várias cidades do país após um reajuste semelhante na passagem de ônibus em São Paulo. Em Blumenau, o aumento de R$ 6,80 para R$ 7,00 não deve provocar manifestações nas ruas, mas tem deixado um sabor amargo — e, ao mesmo tempo, estranho.
Estranho por três motivos.
O primeiro é que o prefeito Egídio Ferrari (PL) prometeu, ainda em janeiro, que não haveria qualquer aumento nas passagens em 2026. Ouça o áudio abaixo para recordar.
O segundo motivo é a multiplicação desses 20 centavos por milhares de usuários todos os meses. Lucro certo. Alguém embolsará essa bolada extra.
O terceiro é que esse reajuste, disfarçado de “não aumento”, terá custo adicional para os cofres públicos. Para compensar a chamada “perda de arrecadação” da Blumob — já que a tarifa antecipada não teve reajuste, pelo menos por enquanto —, a prefeitura decidiu ampliar o repasse à concessionária.
Na prática, isso representa cerca de R$ 12 milhões a mais apenas em 2026. No total, o subsídio ao sistema deve chegar a algo em torno de R$ 69 milhões por ano.
Então, meus caros: não são só 20 centavos.
São R$ 69 milhões saindo do bolso do contribuinte para sustentar um sistema que continua registrando ônibus lotados, escassez de linhas e horários e reclamações recorrentes dos usuários. Queixas que vão desde atrasos até a falta de ar-condicionado em dias sufocantes de 38°C, sem falar nas preocupações com segurança.
E há ainda outro detalhe no horizonte: a possível retirada dos cobradores.
Se isso ocorrer, os mesmos centavos que hoje parecem pouco podem acabar se transformando em mais alguns milhões de lucro garantido para quem opera o sistema. Enquanto isso, o usuário continua pagando a conta. Muito mais do que os 20 centavos.






