Vamos dar uma folga no momento para o escandaloso ódio que a administração pública municipal de Blumenau tem de árvores, até porque estourou outro escândalo, o de desvio e roubo de milhões de reais de recursos públicos que se divulga amplamente e vamos tratar de algo positivo, a maravilha que é o sistema de corredores de ônibus na cidade.
Como aposentado me dou ao luxo de evitar sempre que possível as horas de maior congestionamento nas vias públicas. Me estresso menos e ao mesmo tempo colaboro, evitando mais um carro nas abarrotadas vias públicas da cidade nas horas de pico. Mas às vezes o compromisso cai bem numa daquelas benditas horas em que todo mundo está de carro na rua, como me aconteceu na última quarta-feira, dia 13 deste maio de 2026.
Optei pelo que acho que a maioria das pessoas deveria optar e tomei o ônibus Troncal 10 no Terminal Garcia, trajeto até próximo à Furb às 18 horas. Logo após a Fonte Luminosa, o ônibus passou a avançar rápido e livre pelo corredor, deixando para trás, no devagar-quase-parando, as muitas centenas veículos de transporte individual. Calculo que, no momento que chegava ao meu destino, se estivesse de carro, ainda estaria quase parado dois quilômetros para trás, ali pelo Centro. Cheguei bem antes, portanto.
Noutra ocasião, há algum tempo, vimos uma conhecida nossa indo embarcar num ônibus na Avenida Beira-Rio. Quando chegamos na Furb, bingo! Ela já estava lá.
Quem teve a coragem e mesmo ousadia de implantar corredores de ônibus em Blumenau, quando muitos achavam isso quase impossível, dadas as características da cidade, merece todos os aplausos. Estudos indicam que, a partir do momento em que a viagem de coletivo demorar menos tempo que o deslocamento de carro, a maioria irá optar pelo primeiro.
Talvez aqui na terra do blumenauense fundamentalista, como diz o amigo escritor Maicon Tenfen, a coisa seja um pouco mais complicada – há um certo preconceito tão generalizado quanto velado contra o uso de ônibus. O fato é que melhorias no transporte público devem ser prioritárias às melhorias para o aparentemente prático, mas, de certa forma egoísta, transporte individual.
A média de passageiros por carro mal chega a 1,2 pessoas na cidade. É muito espaço ocupado nas vias públicas para pouca gente. Um único ônibus troncal com capacidade para 98 passageiros, mas transportando com boa folga 70 pessoas, ocupa o espaço de dois ou três carros, mas, livra as ruas de outros 58 automóveis!
O que já é bom, pode melhorar ainda mais. Por isso, seguem sugestões, algumas bem simples, a partir do que observei de dentro do ônibus, naquele horário de pico:
- Catracas duplas nos ônibus: da forma como estão posicionadas, agilizam menos do que poderiam a transposição das mesmas pelos passageiros pagantes. Vi muitas vezes o passageiro da segunda catraca ter que esperar enquanto o passageiro da primeira catraca fazia o pagamento da passagem e isso atrasa o embarque e, portanto, o tempo de viagem. Um reposicionamento de meio metro da(s) catraca(s) já resolveria isso;
- embolamento de ônibus no terminal Fonte: nosso ônibus perdeu duas aberturas de sinaleira para sair do terminal porque outros ônibus estavam “embolados” à frente, trancando a passagem, enquanto tentavam seguir para o lado oposto da plataforma e isso roubou o que de mais precioso tem o sistema de corredores de ônibus, o tempo!
- estações centrais: precisam urgentemente voltar a operar da forma como originalmente planejadas, com ar-condicionado no calor e pagamento antecipado das passagens. Do jeito que estão, perde-se novamente o precioso tempo;
- mais conforto: que os próximos ônibus sejam de piso baixo e com suspensão a ar, muitíssimo mais confortáveis e de embarque enormemente facilitado. Se custam mais caro, não custa o poder público subsidiar a diferença, isso para não falar em passagens gratuitas;
- qualidade da pavimentação: que o poder público dê prioridade à manutenção da qualidade da pista de rolamento dos corredores de ônibus, tornando as viagens mais suaves e menos solavancantes como atualmente são em muitos trechos;
- conforto térmico: pintar os tetos de todos os ônibus de cor bem branca resulta em refletir os raios solares e em menor aquecimento interno dos coletivos, com economia de energia para o ar-condicionado;
- sinaleira da rua Sete de Setembro, esquina com a rua Amadeu da Luz, sentido “Reino” do Garcia: demorou um tempão para abrir. Será que seria muito difícil instalar um sensor que fizesse automaticamente a sinaleira abrir para o transporte público em detrimento do individual sempre que um ônibus se aproxime da mesma? Vai complicar o trânsito? Até pode, mas, o importante é privilegiar o deslocamento da maioria. O egoísta transporte individual que espere.
*Lauro Eduardo Bacca é naturalista e ambientalista
O conteúdo desta publicação é de responsabilidade do autor.
Leia outros textos do autor aqui.






