O encerramento das atividades de uma conhecida lanchonete de Blumenau, na chamada “praça da prefeitura”, reacende o debate sobre a finalidade dos espaços públicos na cidade. Afinal, praças são lugares para lazer, convivência, ócio e diversão livre ou devem se resumir à gastronomia e ao consumo de bebidas?
Com muita pompa, a administração municipal concedeu, há quase três anos, uma área privilegiada da região central a um conjunto de estabelecimentos orbitados na Estação Unifique, sob o discurso de fortalecimento do turismo local. Na outra ponta do centro, há situação semelhante, com mais um bar ocupando praticamente toda a área que deveria estar livre para uso da população.
No caso da Praça Victor Konder, sob o olhar direto da prefeitura, a principal atração gastronômica decidiu fechar as portas neste mês, alegando baixo movimento entre janeiro e setembro. Considerando que a lanchonete construiu uma trajetória de sucesso em outras unidades, cabe o questionamento sobre a recorrente situação do “empreendimento certo no lugar errado”.
O erro, portanto, está no pensamento “dinheirista” dos governantes de Blumenau em relação aos poucos espaços públicos que temos. Praça é algo para os cidadãos, não apenas para consumidores. Transformar esses ambientes em áreas monetizadas vai na contramão do que se observa em parques e praças pelo Brasil e pelo mundo. Pode até atrair um bom público no início, mas com o tempo afasta de vez a população em geral.
Praças e parques devem ser espaços de convivência para famílias, crianças, jovens, idosos, pets, ou seja, ambientes que incentivem as pessoas a sair do isolamento ou da rotina doméstica. É assim na maior parte do mundo moderno. Nada impede a existência de algum quiosque que venda água, cafezinhos, sucos e pequenos lanches. Mas esses pontos devem ser discretos, sem atrapalhar o fluxo e a ocupação livre da população.
Parcerias com a iniciativa privada são sempre bem-vindas. Um bom exemplo recente é a Praça Arno Bernardes, no bairro Vila Nova. Com a participação de uma grande empresa local, o espaço foi revitalizado e hoje é bem frequentado por moradores, sem gastronomia e sem “cultura de boteco”.
Então, meus amigos, o que precisa mudar não é o bar de lugar. Deixem os estabelecimentos comerciais onde sempre estiveram, em seus imóveis particulares, típicos da forte cultura empreendedora do município.
O que precisa mudar é a mentalidade de quem faz a gestão da cidade. Mais verde, mais árvores, mais espaços livres para convívio social – e menos sons de caixas registradoras.






