O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e a Polícia Civil de Santa Catarina deflagraram em Blumenau e outras cidades a Operação Takedown na manhã desta quarta-feira (07). O objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa de âmbito nacional especializada em invasões de sistemas bancários através de um ataque cibernético denominado “ataque lógico”.
Estão sendo cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Blumenau – após a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina dar provimento ao recurso interposto pela 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau -, nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Rondônia e Paraíba, e no Distrito Federal.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) de Blumenau, teve início depois da prisão dos responsáveis pelo roubo com restrição de liberdade de duas gerentes de uma instituição financeira que trabalhavam em Blumenau, em 20 de setembro de 2022. O crime foi praticado visando o roubo dos notebooks das vítimas.
Os dispositivos foram previamente encomendados pela organização criminosa investigada para viabilizar as invasões e furto de valores da instituição financeira, com prejuízo aproximado de R$ 2.500.000,00. Após obtenção de cautelares judiciais, o CyberGAECO, em apoio técnico à DRFR de Blumenau, identificou a estrutura do grupo criminoso e os membros encarregados de invadir o sistema operacional do banco e realizar as transações criminosas, conhecidas como “ataque lógico”. Três ex-colaboradores da instituição financeira prejudicada tiveram suas prisões decretadas por auxiliarem no crime.
Os integrantes do grupo criminoso têm um histórico de crimes e fraudes digitais, sendo que alguns deles também praticaram delitos cibernéticos contra a Previdência Social.

Veja como funciona o “ataque lógico” que possibilita a invasão e as transferências fraudulentas, segundo o CyberGaeco:
1) Obtenção do notebook do banco: O grupo criminoso obtém ilicitamente, mediante furto ou roubo, notebooks de funcionários da instituição financeira alvo. Normalmente, algum colaborador do banco é aliciado para facilitar ou repassar informações que permitam a subtração do dispositivo eletrônico.
2) Acesso à rede do banco: De posse do notebook do banco, os criminosos, agindo como se fossem colaboradores, acessam à rede da instituição financeira. Para isso, possuem duas alternativas:
i) uso de VPN (neste caso, precisam saber a senha de algum funcionário ativo ou ter afacilitação/envolvimento de algum deles);
ii) acessar o Wi-Fi de uma agência a partir de um local próximo.
3) Acesso ao sistema transacional: Assim que a rede do banco é conectada, ocorre o acesso ao sistema transacional através do uso das credenciais de um gerente. A senha funcional do gerente é obtida e repassada à organização criminosa por um funcionário corrompido.
4) Efetivação das transferências: São acessadas contas de clientes que o grupo já sabe possuir quantias elevadas, e são efetuadas transferências eletrônicas para contas de “laranjas”.

A operação conta com o apoio da Polícia Civil dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Rondônia e do Distrito Federal, da Polícia Penal dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e dos Ministérios Públicos e GAECOs do estado do Ceará e do Distrito Federal e Territórios. Nenhum dos 12 presos são de Santa Catarina, segundo o delegado de polícia civil Bruno Fernando.
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