O vereador de Florianópolis, Leonel Camasão Cordeiro (PSOL), recebeu nesta semana uma moção de repúdio assinada pela Câmara de Blumenau. A iniciativa foi do presidente da Casa, vereador Ailton de Souza – Ito (PL), em virtude de declarações feitas contra o repasse de emenda parlamentar de um deputado estadual aos Clubes de Caça e Tiro do Vale do Itajaí.
O assunto entrou em discussão na Câmara de Blumenau quando Ito trouxe à tona uma fala de Camasão. O vereador de Florianópolis criticou a destinação de verbas do orçamento da Cultura para a compra de aparelhos de ar-condicionado nos Clubes de Caça e Tiro XV de Novembro (em Pomerode) e Esportivo União (em Blumenau, na Itoupava Central).
Em sua justificativa, Ito argumentou que esses clubes não são apenas espaços de prática esportiva, mas sim parte essencial da tradição germânica, que fundamenta a cultura e a história de Blumenau. De acordo com o texto, desde o século XIX, os clubes de tiro promovem a integração social, o respeito às tradições e o desenvolvimento do esporte, sendo herança direta dos imigrantes alemães que formaram nossa cidade.
“Atacar os investimentos e apoio a esses clubes demonstra o total desconhecimento do vereador com relação à história de nossa cidade, desrespeitando a identidade cultural da nossa comunidade e demonstrando total desconhecimento sobre sua importância histórica e social. Reafirmamos nosso apoio ao fortalecimento dessas entidades e à preservação das nossas raízes culturais”, declarou Ito.

A moção de repúdio foi aprovada na sessão da última terça-feira (20), com votos favoráveis de 12 dos 15 vereadores de Blumenau. Dois vereadores não estavam na sessão e o presidente não vota.

Repercussão após a moção (nota da redação)
O vereador Camasão, de Florianópolis, demonstrou desdém, através das redes sociais, após a manifestação da Câmara de Blumenau sobre o assunto. Ele minimizou o fato de que os clubes de caça e tiro do Vale do Itajaí promovem a tradição e cultura regionais. Chegou a comparar as práticas dos clubes com a “farra do boi” do litoral catarinense, dizendo que “não é porque é tradição, que esteja correto”.
O que o vereador da capital desconhece, é que há enormes diferenças entre uma farra do boi, em que pessoas perseguem e machucam um animal, e clubes em que famílias frequentam para confraternizar, através de jogos de bolão, festas de rei e rainha (verdadeiros espetáculos culturais à parte), danças e também prática de tiro desportivo. Essa prática de tiro ao alvo, aliás, nada tem a ver com os “clubes de tiro” que existem país afora, outra confusão comum cometida por quem não conhece os clubes. Afinal, uma coisa é clube em que as pessoas treinam tiro para poder andar armado e aperfeiçoar seu uso da arma de fogo. Outra coisa é uma tradição em que ocorre tiro ao alvo somente nas dependências do clube, sem a intenção de levar a prática para locais externos.






