Blumenau é listada como a oitava cidade do Brasil com maior consumo de alimentos ultraprocessados, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Esse tipo de alimento é responsável por 27% do consumo de calorias da população do município.
A pesquisa foi realizada por Leandro Teixeira Cacau, Maria Helena D’Aquino, Benicio Renata Bertazzi Levy e Maria Laura da Costa Louzada, das faculdades de Saúde Pública, Medicina e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP. O estudo, publicado na Revista de Saúde Pública da Universidade no final de junho, teve como base os dados do Censo e da Pesquisa de Orçamentos Familiares, ambos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Alimentos ultraprocessados são considerados aqueles industrializados e produzidos em várias etapas de processamento e que contém substâncias desenvolvidas em laboratórios, a partir de outros alimentos ou fontes orgânicas. Os alimentos ultraprocessados mais conhecidos no consumo brasileiro são as pizzas e lasanhas congeladas, macarrão instantâneo, biscoitos, salgadinhos e outros.
São 19 municípios de Santa Catarina que figuram na lista dos 20 que mais consomem esse tipo de alimento no país. Florianópolis é a primeira do ranking nacional, com cerca de 30% do consumo de sua população vindo dos ultraprocessados.
Além de Blumenau na 8ª posição nacional, Brusque (10ª) e Indaial (15ª) também são municípios do Médio Vale na lista das 20 cidades brasileiras.
Segundo os pesquisadores, o estudo não buscou detectar as causas da preferência por esses tipos de alimentos, mas mas “as estimativas geradas podem contribuir para o monitoramento do consumo alimentar de ultraprocessados no nível municipal e fortalecer e subsidiar a criação de políticas públicas focadas na promoção da alimentação saudável”, explicam no artigo.
O levantamento considerou o período entre 2017 e 2018 e tomou como base a amostra de domicílios do Censo Demográfico de 2010, já que o Censo de 2022 ainda não apresentava todos os dados necessários para a pesquisa.
Riscos à saúde
Segundo o Ministério da Saúde, o consumo de alimentos ultraprocessados aumenta em 26% o risco de obesidade. Ele também eleva o risco de sobrepeso em 23%, de síndrome metabólica (condições que aumentam o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e diabetes) em 79%, de colesterol alto em 102%, de doenças cardiovasculares em 29% a 34%. As doenças causadas em função do excesso de consumo desses tipos de alimentos são responsáveis por 25% de todas as mortes no país.






