O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou por homicídio qualificado a mulher que estava ao volante da caminhonete durante o episódio que terminou com a morte do empresário Fabio Tomelin, de 48 anos, em Indaial. O caso ocorreu em 31 de maio, durante uma discussão entre o casal.
A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Indaial. Segundo o MPSC, a mulher sabia que Fabio estava preso à parte externa do veículo e, mesmo assim, realizou manobras bruscas, assumindo o risco de provocar a morte dele.
A acusação representa uma mudança em relação à conclusão do inquérito da Polícia Civil, divulgado em agosto. Na ocasião, a investigação concluiu que não havia conduta criminosa por parte da companheira e não houve indiciamento. Segundo a Polícia Civil, Fabio teria permanecido voluntariamente pendurado no estribo da caminhonete enquanto ela tentava deixar a residência durante uma discussão.
O que aconteceu
De acordo com a denúncia do MPSC, o casal havia se desentendido durante um evento em Blumenau. Fabio retornou sozinho para casa, em Indaial, e posteriormente a companheira chegou ao imóvel. Os dois tiveram uma nova discussão.
Conforme a acusação, Fabio tentou impedir que a mulher deixasse o local com a caminhonete. Ela teria entrado no veículo e iniciado a manobra para sair da residência. Para impedi-la, Fabio teria se pendurado no estribo, pelo lado do motorista.
Ainda segundo o Ministério Público, a mulher percebeu que ele estava na parte externa do veículo e fez movimentos para frente e para trás. Depois de chegar à via pública, teria conduzido a caminhonete de forma brusca pelas ruas de Indaial.
Fabio caiu do veículo e sofreu traumatismo cranioencefálico. Ele morreu em decorrência dos ferimentos.
O MPSC sustenta que a mulher tinha conhecimento de que o companheiro estava preso ao veículo e, mesmo assim, prosseguiu com a condução. A denúncia aponta a qualificadora de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
Investigação da Polícia Civil
A Polícia Civil de Indaial havia analisado depoimentos de testemunhas, o interrogatório da companheira e laudos da Polícia Científica, incluindo exames necroscópico, do local, do veículo e toxicológico. Também foram analisadas imagens de câmeras de segurança da residência do casal, de locais próximos e das vias percorridas em Blumenau.
Na conclusão do inquérito, a Polícia Civil informou que Fabio estava embriagado e teria impedido fisicamente a companheira de deixar a residência. Segundo a investigação, quando ela conseguiu entrar na caminhonete, ele subiu no estribo lateral e permaneceu pendurado na parte externa do veículo.
A autoridade policial concluiu pela inexistência de conduta criminosa e não indiciou a mulher. O inquérito foi encaminhado ao Judiciário, com cópia ao Ministério Público.
Fabio Tomelin era diretor da Tomelin Esquadrias de PVC.
Próximos passos
Na denúncia, o MPSC pede que a mulher seja pronunciada ao final da primeira fase do processo e submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O Ministério Público também requereu a fixação de indenização mínima de R$ 100 mil para reparação dos danos causados aos herdeiros de Fabio Tomelin.
A denúncia ainda será analisada pela Justiça. As alegações apresentadas pelo MPSC representam a acusação e não significam condenação da denunciada.





