Terça-feira, Agosto 18, 2026
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Morte de gestante de Indaial: Polícia Civil indicia dois médicos

Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, morreu após procurar atendimento quatro vezes no Hospital Beatriz Ramos; bebê também não sobreviveu.

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A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava a morte da jovem gestante Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e do bebê que ela esperava, e indiciou dois médicos do Hospital Beatriz Ramos, de Indaial, pelo crime de homicídio culposo — quando não há intenção de matar. O caso ocorreu após uma sequência de atendimentos no hospital, antes da transferência da paciente para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau.

Maria Luiza morreu no dia 2 de abril deste ano. Grávida de sete meses, ela também perdeu o bebê após ser submetida a uma cesariana de emergência em Blumenau. A causa da morte constatada pela Polícia Científica foi síndrome infecciosa sistêmica aguda grave, segundo o delegado Aderlan Camargo, responsável pelas investigações.

Segundo a investigação, a jovem procurou atendimento no Hospital Beatriz Ramos quatro vezes entre os dias 30 de março e 2 de abril, apresentando dores pelo corpo e febre. Conforme relatos da família divulgados na época, ela foi liberada nas primeiras consultas e retornou ao hospital com a piora do quadro. Somente após novo agravamento foi transferida para Blumenau, onde chegou com um quadro de infecção generalizada.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação foi concluída com o indiciamento de dois médicos com base nas provas reunidas ao longo dos últimos meses. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou adota outro entendimento jurídico.

Para chegar à conclusão, os investigadores analisaram os prontuários médicos dos hospitais envolvidos, documentos do Samu e outros registros relacionados ao atendimento da paciente. Também foram produzidos três laudos periciais especializados, além de duas perícias complementares, consideradas fundamentais para esclarecer a causa da morte e avaliar as condutas adotadas durante os atendimentos.

Ao longo da investigação, a Polícia Civil ouviu 20 pessoas, entre testemunhas e profissionais investigados. Segundo a corporação, os advogados dos médicos tiveram acesso aos autos durante toda a apuração, conforme determina a legislação.

Maria Luiza Bogo Lopes. Foto: Reprodução/Redes sociais

Em nota, a Polícia Civil destacou ainda a importância do trabalho da Polícia Científica, cujos laudos periciais embasaram a conclusão do inquérito.

O caso teve grande repercussão em Santa Catarina. Dias após a morte da jovem, o Hospital Beatriz Ramos anunciou o afastamento preventivo de um dos médicos envolvidos no atendimento e informou que também realizava uma apuração interna. O hospital ainda comunicou, na ocasião, que havia encaminhado o caso ao Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC). Já o Hospital Santo Antônio afirmou que disponibilizou o prontuário da paciente às autoridades competentes, conforme prevê a legislação.

Agora, caberá ao Ministério Público analisar o inquérito e decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia contra os médicos investigados.

O que diz o Hospital Beatriz Ramos

Nossa reportagem procurou a assessoria do Hospital Beatriz Ramos, que nos retornou com a seguinte nota:

Sobre o resultado do inquérito policial apresentado pela Polícia Civil de Santa Catarina, o Hospital Beatriz Ramos informa que sempre colaborou de forma integral com as autoridades responsáveis pela investigação, disponibilizando prontuários, documentos, informações e todos os demais elementos solicitados ao longo da apuração.

A instituição registra que a nota divulgada pela Polícia Civil não identifica nominalmente os profissionais mencionados no procedimento e que, até o presente momento, não teve acesso ao inteiro teor do inquérito policial e dos laudos periciais que fundamentaram as conclusões apresentadas.

Diante disso, o Hospital solicitará formalmente cópia dos autos para análise técnica e jurídica detalhada, a fim de avaliar a adoção de eventuais medidas complementares que se mostrarem necessárias, sem prejuízo das providências administrativas já adotadas internamente.

O Hospital Beatriz Ramos reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência prestada à população, com a segurança dos pacientes, com a transparência institucional e com o pleno esclarecimento dos fatos, permanecendo à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos adicionais que venham a ser necessários.”

As notas anteriores dos hospitais Beatriz Ramos e Santo Antônio estão aqui e aqui.

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Redação
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