A casa que havia “rachado ao meio” no último fim de semana no bairro Escola Agrícola, em Blumenau, desabou nessa madrugada de terça-feira (21). Praticamente metade da edificação caiu sobre o terreno vizinho, onde havia uma escavação do barranco para construção de um prédio de apartamentos.
A residência que foi construída há 28 anos fica nos fundos de um imóvel da mesma família, na Rua Benjamin Constant, nº 2042. O terreno que foi escavado até as proximidades da casa fica na Rua Tomé Venera dos Santos, uma via abaixo da Benjamin Constant.
Segundo a proprietária e moradora da residência, Marli Lange, a escavação para a obra do prédio nos fundos iniciou em 2024, mas a obra foi paralisada. Na semana passada, os serviços de escavação retornaram, chegando muito próximo da residência. De acordo com Marli, a escavadeira passou do rumo, cavando no seu terreno “sem autorização”.
As rachaduras começaram no fim de semana, nos quartos da filha e da neta. Apesar do apelo para que os trabalhadores parassem a escavação, o pedido foi ignorado, segundo a moradora. “Eles diziam que a sapata da residência ainda estava longe, mas estavam escavando muito próximo”, conta Marli.
A família saiu da casa no fim de semana e foi para a moradia da mãe, que fica na parte da frente do imóvel. Foi questão de horas para que a residência desabasse.
Na manhã desta terça-feira (21), a família retirava o que podia dos seus pertences. Uma reunião com o engenheiro e o responsável pela obra de escavação seria feita ainda durante a manhã desta terça.

O prédio planejado para ser construído no terreno escavado terá sete andares de altura.

O que diz a Defesa Civil de Blumenau
Durante a visita da nossa reportagem à residência desabada, a Defesa Civil do município estava presente no local, através de um de seus técnicos. Segundo o secretário de Defesa Civil, Carlos Menestrina, a obra do prédio no terreno escavado foi embargada. Uma das prioridades no momento é o restabelecimento pleno da moradia da família afetada, explicou o secretário ao Portal O Auditório.
Segue a explicação, na íntegra, do órgão municipal de Defesa Civil:
“Em razão da interferência causada na residência localizada aos fundos do empreendimento, a obra foi objeto de embargo. A sua liberação está condicionada ao cumprimento de duas medidas.
A primeira consiste na execução de um muro de contenção no talude, por eles realizado. A segunda refere-se à necessidade de composição com o proprietário do imóvel afetado, visando ao restabelecimento pleno do seu direito à moradia.
Para tanto, foi agendada reunião na Defesa Civil para a próxima quarta-feira, ocasião em que serão definidos o cronograma e a data para eventual complementação ou adequação das intervenções a serem executadas, bem como serão prestadas orientações para que o responsável pelo empreendimento atenda integralmente aos termos acordados com o morador prejudicado, considerando que os danos decorreram de erro de execução.”
Nossa reportagem trará a explicação por parte da construtora durante a atualização desta matéria.






