A sessão da Câmara de Vereadores de Indaial, realizada na noite de terça-feira (7), foi marcada pela repercussão da Operação “Pão e Circo”, deflagrada pelo Gaeco para investigar um suposto esquema de fraude em licitações para contratação de shows. Um dos alvos da operação foi o vereador Dudu Cunha (MDB), empresário do setor de eventos, que utilizou a tribuna para negar irregularidades e defender sua atuação.
Durante o pronunciamento, Dudu confirmou que foi alvo de um mandado de busca e apreensão em razão de contratos firmados por sua empresa com municípios investigados. Segundo ele, toda a documentação solicitada foi entregue às autoridades e não há processo judicial contra ele nem contra a empresa.
O vereador afirmou que sua empresa atua há anos no setor de eventos de forma “transparente e dentro da legalidade” e criticou o que classificou como tentativas de antecipar um julgamento antes da conclusão das investigações. Também atribuiu parte das críticas recebidas à disputa política no município e disse que continuará exercendo o mandato.
Após o pronunciamento, os vereadores Diogo de Pinho (PSD) e Flávio Molinari (PSD) defenderam que Dudu Cunha se afaste temporariamente do cargo enquanto as investigações estiverem em andamento. Ambos afirmaram que a medida preservaria a imagem da Câmara e reforçaram que o pedido não representava uma condenação antecipada.
Pinho foi mais contundente, acusando o colega emedebista de ser um dos mais “justiceiros” da Câmara e que costumeiramente faz acusações às gestões atual e passada do executivo municipal.
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O presidente do Legislativo, Valentin Blausius (PSD), rejeitou o pedido. Segundo ele, a Câmara não teve acesso aos autos da investigação nem foi formalmente comunicada sobre qualquer medida judicial envolvendo o vereador, motivo pelo qual não haveria elementos para instaurar um procedimento ou determinar afastamento neste momento.
Na segunda manifestação na tribuna, Dudu agradeceu o apoio recebido de alguns colegas, como a vereadora Elaine Pickler (PSDB) e Lúcio Vanderlinde (Novo), e disse confiar que os fatos serão esclarecidos e afirmou que deixará o cargo caso venha a ser condenado pela Justiça. “Se eu tiver feito alguma coisa errada, eu sou o primeiro a me levantar e sair dessa Casa”, declarou.
Antes da sessão, o ex-prefeito de Indaial, André Moser (Republicanos), publicou um vídeo nas redes sociais defendendo o afastamento temporário do vereador até a conclusão das investigações.
Rixa antiga
As intrigas entre o grupo de Dudu Cunha (MDB) e André Moser (Republicanos) é antiga – e herdada. Cunha é filho do ex-vereador do MDB Amilton Cunha, que foi colega na Câmara de André Moser na legislatura de 2013 a 2016. Ambos disputaram a prefeitura de Indaial em 2016, com a vitória de Moser, então do PSDB. As rusgas nunca fora aparadas entre os dois grupos, formados por oposição e situação em Indaial desde então.
Operação
A Operação “Pão e Circo” foi deflagrada pelo Gaeco e pela Polícia Civil e apura um suposto cartel de empresários do setor de eventos para fraudar licitações públicas de shows em municípios catarinenses. A investigação também apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e pagamento de propina. A operação cumpriu 50 mandados de busca e apreensão, prendeu preventivamente em Itapema o empresário José Clemir Spinelli e determinou o afastamento do prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL), além de outras medidas cautelares contra investigados.






