Rodeio e Rio dos Cedros estão entre os 50 municípios de Santa Catarina com maior proporção de famílias cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico) classificadas em risco grave de insegurança alimentar. Os dois municípios do Médio Vale do Itajaí aparecem, respectivamente, nas posições 45ª e 17ª do levantamento realizado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Em Rodeio, 21 famílias foram classificadas em situação de risco, o que corresponde a 5,8% do universo considerado pelo indicador. Em Rio dos Cedros, são 18 famílias, equivalentes a 7,1%.
O levantamento foi elaborado pelos Centros de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e Terceiro Setor (CDH) e da Saúde Pública (CSP) do MPSC. O estudo utilizou dados do Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave (CadInsan), elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
O indicador considera em risco grave as famílias inscritas no CadÚnico cuja probabilidade estimada de insegurança alimentar grave é igual ou superior a 80%. O percentual apresentado para cada município corresponde à proporção dessas famílias em relação ao universo considerado pelo indicador.
Por isso, os dados representam uma estimativa estatística de risco e não o resultado de entrevistas ou de um diagnóstico individual realizado diretamente com as famílias.
Ao todo, o levantamento aponta 10.252 famílias catarinenses em situação de risco grave de insegurança alimentar. Entre os municípios com maior proporção estão Entre Rios, com 19,7%, Rio Rufino, com 11,8%, Bom Jardim da Serra, com 10,8%, Treviso, com 10,5%, e Ipuaçu, com 10,4%.
Em números absolutos, os maiores contingentes estão em Florianópolis, com 1.705 famílias, Lages, com 695, e Itajaí, com 601.
Os 50 municípios com maior proporção de famílias em risco
| Nº | Município | Famílias em risco | Proporção |
|---|---|---|---|
| 1 | Entre Rios | 84 | 19,7% |
| 2 | Rio Rufino | 24 | 11,8% |
| 3 | Bom Jardim da Serra | 51 | 10,8% |
| 4 | Treviso | 17 | 10,5% |
| 5 | Ipuaçu | 81 | 10,4% |
| 6 | Vargem | 13 | 9,6% |
| 7 | Guatambu | 35 | 9,4% |
| 8 | Galvão | 24 | 9,3% |
| 9 | Barra Bonita | 9 | 9,2% |
| 10 | Brunópolis | 18 | 8,9% |
| 11 | Cunhataí | 4 | 8,9% |
| 12 | Ouro | 15 | 8,6% |
| 13 | Florianópolis | 1.705 | 8,3% |
| 14 | São Miguel da Boa Vista | 11 | 8,2% |
| 15 | Ipumirim | 6 | 7,7% |
| 16 | Santa Cecília | 83 | 7,3% |
| 17 | Rio dos Cedros | 18 | 7,1% |
| 18 | São José do Cerrito | 62 | 7,0% |
| 19 | Nova Veneza | 24 | 7,0% |
| 20 | Campo Belo do Sul | 48 | 6,8% |
| 21 | Urupema | 17 | 6,8% |
| 22 | Salto Veloso | 12 | 6,8% |
| 23 | Palmeira | 10 | 6,8% |
| 24 | Lages | 695 | 6,6% |
| 25 | Balneário Piçarras | 110 | 6,6% |
| 26 | Ibicaré | 10 | 6,5% |
| 27 | Celso Ramos | 9 | 6,5% |
| 28 | São Joaquim | 116 | 6,4% |
| 29 | Urubici | 58 | 6,4% |
| 30 | Dona Emma | 5 | 6,4% |
| 31 | Marema | 5 | 6,3% |
| 32 | Quilombo | 20 | 6,2% |
| 33 | Irati | 9 | 6,2% |
| 34 | Imbituba | 124 | 6,1% |
| 35 | São Domingos | 33 | 6,1% |
| 36 | São Bonifácio | 9 | 6,1% |
| 37 | Itajaí | 601 | 6,0% |
| 38 | Praia Grande | 40 | 6,0% |
| 39 | Siderópolis | 40 | 6,0% |
| 40 | Caxambu do Sul | 14 | 6,0% |
| 41 | Balneário Camboriú | 282 | 5,9% |
| 42 | Garopaba | 98 | 5,9% |
| 43 | Campo Erê | 55 | 5,9% |
| 44 | Irineópolis | 43 | 5,9% |
| 45 | Rodeio | 21 | 5,8% |
| 46 | José Boiteux | 18 | 5,8% |
| 47 | Itapema | 178 | 5,7% |
| 48 | Balneário Barra do Sul | 57 | 5,7% |
| 49 | Corupá | 26 | 5,7% |
| 50 | Rio do Sul | 123 | 5,6% |
MPSC quer subsidiar atuação nos municípios
O material foi encaminhado às Promotorias de Justiça que atuam nos municípios com os indicadores mais preocupantes. A proposta é oferecer dados para identificar eventuais fragilidades nas políticas públicas de segurança alimentar e subsidiar a adoção de medidas em cada realidade local.
O estudo aponta também dificuldades na estruturação dessas políticas. Em abril de 2026, apenas 50 dos 295 municípios catarinenses haviam aderido ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Além disso, somente 24 municípios tinham Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional vigente.
O MPSC orienta que as Promotorias avaliem, entre outros pontos, a existência e a capacidade de atendimento de restaurantes populares, cozinhas comunitárias ou solidárias, bancos de alimentos e programas de distribuição de alimentos. Também podem ser analisadas a estrutura de governança municipal e a previsão de recursos orçamentários para a área.
O levantamento também relaciona a insegurança alimentar ao crescimento da população em situação de rua em Santa Catarina. Segundo dados reunidos pelo MPSC, o número de pessoas nessa condição cadastradas no CadÚnico passou de 1.774, em 2015, para 8.824, em 2023.
Para o coordenador dos Centros de Apoio, Eduardo Sens dos Santos, o diagnóstico deve servir como ponto de partida para ações públicas estruturadas e adequadas às características de cada município.





