Blumenau é construída diariamente pelo esforço do seu povo trabalhador. São milhares de pessoas que acordam cedo, trabalham duro, produzem riqueza e pagam seus impostos acreditando que esse dinheiro será revertido em saúde, educação, infraestrutura e qualidade de vida.
Por isso, é revoltante perceber que, ao longo dos últimos 20 anos, nossa cidade acabou marcada por uma sucessão de escândalos de corrupção envolvendo a administração pública municipal.
O dinheiro que deveria resolver os problemas da nossa gente frequentemente aparece ligado a esquemas destinados a enriquecer alguns poucos.
Não podemos esquecer tudo aquilo que já veio à tona.
Tudo começa com a Operação Tapete Negro, que desvendou fraudes em licitações, pavimentação e contratos públicos da Prefeitura de Blumenau. A Operação Soldo Inflado apurou suspeitas de corrupção e desvios dentro do Samae. A Operação Publicis trouxe à luz investigações envolvendo ameaças relacionadas a pagamentos públicos.
A Operação Ponto Final investigou irregularidades em contratos de obras públicas. A Operação Carga Oca apurou fraudes no fornecimento de macadame para a Secretaria de Obras entre 2022 e 2024, resultando em buscas, afastamento de servidores e suspensão de contratos.
Na educação, a situação também causa indignação. A Operação Arbóreo, envolvendo contratos da merenda escolar, apontou pagamentos milionários em propinas e desvios de recursos públicos. Já a Operação Sentinela investigou suspeitas de fraudes e superfaturamento em contratos ligados à segurança escolar. Soma-se a isso a Operação Cartas Marcadas, relacionada a possíveis irregularidades em licitações municipais.
Diante desse histórico, fica uma pergunta inevitável: até quando Blumenau vai conviver com essa realidade? Blumenau precisa ser passada a limpo. Os trabalhadores da nossa cidade merecem respeito.
Desde o início do meu mandato, tenho colocado a fiscalização e a defesa do dinheiro público como prioridades centrais da atuação parlamentar.
Meu primeiro ato como vereador foi propor a CPI da Merenda, para investigar o contrato da Prefeitura relacionado ao fornecimento da alimentação escolar. Infelizmente, manobras políticas da base governista impediram que a Câmara cumprisse seu papel fiscalizador, levando ao arquivamento da comissão.
Mas o tempo mostrou quem estava certo. Posteriormente, o Ministério Público deflagrou justamente a Operação Arbóreo, investigando suspeitas de fraude nesses mesmos contratos.
Também dei a assinatura decisiva para a instalação da CPI do Esgoto. Essa atitude foi fundamental para barrar o aumento de 15% que a BRK e a Prefeitura pretendiam impor à população blumenauense.
Outra frente importante de investigação é a chamada CPI do Macadame Fantasma, que busca apurar fortes indícios de relatórios de macadamização falsificados para possibilitar enriquecimento ilícito com dinheiro público.
Fiscalizar não é perseguição política. Fiscalizar é obrigação de quem ocupa cargo público. É defender o dinheiro do contribuinte. É proteger quem trabalha honestamente.
Tenho convicção de que o povo de Blumenau está percebendo a gravidade da corrupção que tem assolado nossa prefeitura. E tenho confiança de que os blumenauenses terão sabedoria, coragem e consciência para dizer basta a esse ciclo de escândalos.
Nossa cidade merece muito mais do que isso.
*o autor é vereador em Blumenau/SC
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