O vereador Bruno Win (NOVO) afirmou nesta quinta-feira (4) que o saneamento de Blumenau enfrenta um cenário de “colapso operacional”, após a análise de um relatório técnico contratado pela Prefeitura. O documento, elaborado pela MPB Engenharia, aponta falhas graves na implantação e na manutenção dos Poços de Visita (PVs), estruturas que permitem fiscalizar e manter a rede de esgoto.
Segundo o vereador, o relatório identificou que 2.171 poços de visita simplesmente não foram encontrados durante o mapeamento, impedindo qualquer forma de fiscalização em diversos bairros. Outros problemas incluem poços travados, profundidade fora das normas técnicas e danos estruturais que podem provocar infiltrações de esgoto no solo.
O diagnóstico também indica impacto direto no pavimento das ruas: 64% dos pontos avaliados apresentam danos como afundamentos e ondulações ao redor dos PVs. Em 76 trechos, a tubulação trabalha acima da capacidade, o que gera refluxo, mau cheiro e risco de alagamentos. Para corrigir os problemas mapeados, a estimativa inicial é de um custo de R$ 50 milhões, valor que não inclui redes instaladas com recursos do PAC e da Funasa.
Bruno Win afirma que o cenário explica o baixo desempenho de Blumenau em indicadores nacionais de saneamento e cobra esclarecimentos da Prefeitura, do Samae e da Agir. O vereador quer respostas sobre o desaparecimento dos mais de dois mil PVs, sobre instalações fora das normas e sobre medidas imediatas para corrigir a sobrecarga da rede. Como presidente da Frente Parlamentar de Infraestrutura e Saneamento, ele diz que seguirá realizando fiscalizações e propondo ações para a recuperação do sistema.
O que diz o Samae de Blumenau
O Samae de Blumenau se manifestou através de uma nota, após as denúncias do vereador. Segue abaixo na íntegra:
“A manifestação do vereador Bruno Win tem como base o relatório de uma auditoria contratada pelo Samae, que apontou uma série de irregularidades. Esse material foi entregue à Câmara de Vereadores pelo diretor-presidente do Samae, Alexandre de Vargas, no dia 13 de agosto deste ano, quando ele foi ouvido pela CPI do Esgoto. Naquela mesma semana o relatório foi enviado para a agência reguladora, anexo ao pedido de revisão tarifária.
Esse documento baseou a decisão da administração municipal em revogar o quinto termo aditivo ao contrato de esgoto, de acordo com o decreto 16.289/2025. Desde então, o Samae solicitou a abertura de uma revisão de tarifa extraordinária, por entender que os valores apontados pela auditoria devem ser levados em consideração e, consequentemente, reduzir os valores cobrados pela tarifa de esgoto. Esse processo está em andamento.
Por se tratar de um documento público, o Samae coloca-se à disposição para compartilhar o relatório com o cidadão que tiver interesse.“






