Remuneração baixa, jornadas de trabalho extensas, pressão por produtividade e falta de reconhecimento profissional são as principais insatisfações de costureiras que atuam em facções do Vale do Itajaí. É o que revela um estudo recente desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Regional de Blumenau (PPGAd/FURB), que investigou o bem-estar subjetivo e as motivações dessas profissionais na região.
O resultado
A pesquisa foi realizada através de entrevistas com dez costureiras faccionistas que trabalham em municípios do Vale. Foram investigados três aspectos centrais: o grau de satisfação das costureiras com a vida e o trabalho, os desafios profissionais e as motivações para escolha e permanência na profissão.
Entre as principais motivações apontadas pelas costureiras para a escolha da profissão estão a necessidade de trabalhar em casa para estar perto dos filhos, autonomia e a flexibilidade na gestão do tempo, além da satisfação com o ofício.
Instabilidade financeira, pressão por produtividade, falta de reconhecimento profissional e dificuldade de precificação foram apontados como os principais desafios que ameaçam a permanência na profissão.
Quanto ao bem-estar, os resultados revelam que as faccionistas mantêm uma relação ambígua com o trabalho: enquanto a sensação de autonomia e realização profissional promovem emoções positivas, como orgulho e satisfação, a insegurança econômica, a sobrecarga de trabalho e a falta de garantias sociais geram ansiedade e frustração.
A profissão de costureira faccionista
Essenciais à indústria da moda, as costureiras faccionistas são trabalhadoras autônomas, muitas vezes informais, que prestam serviços terceirizados de mão de obra de costura para a indústria. Diferentemente das costureiras que trabalham no interior das indústrias, as faccionistas não têm quaisquer garantias. Muitas vezes trabalham em casa, sozinhas ou coletivamente, nas chamadas facções. As costureiras entrevistadas cumprem jornadas que podem chegar a 16 horas por dia, de domingo a domingo.
As trabalhadoras usam recursos próprios – máquinas de costura, linhas, agulhas, energia elétrica – e não têm qualquer garantia de remuneração mínima por peça produzida. Não há contrato formal, nem tabelas fixas de preço pelo serviço. Quem define quanto vai pagar e qual o prazo de entrega é o contratante.
O estudo
O estudo foi conduzido pela pesquisadora Andreyna Santos, Mestre em Administração, sob orientação da professora Cynthia Quadros, Doutora em Desenvolvimento Regional. A pesquisa tem caráter qualitativo e exploratório e constitui um primeiro passo para conhecer a realidade dessas trabalhadoras.





