O governador Jorginho Melo (PL) se envolveu em um bate boca com lideranças da comunidade indígena na barragem de José Boiteux durante visita ao local nesta quarta-feira (8).
Em determinado momento, quando dava uma entrevista para a imprensa, Jorginho xingou uma mulher que, pelo áudio, identificava-se como uma das lideranças indígenas.
Primeiro, Jorginho disse “vai pra p. que o p.” para a mulher. Depois, seguindo com palavrões, é possível ouvir o governador falando “a senhora não quer ir à merda?” para ela, em tom claro de desrespeito à mulher e aos presentes no local.
No vídeo, é possível ver o secretário adjunto de Comunicação Social do governo, Nathan Neumann, pedindo que o governador encerrasse a entrevista e saísse da confusão, mas Jorginho negou o pedido.
O que diz o governador
Em publicação nas suas redes sociais, já com produção profissional realizada por sua equipe de marketing, o governador Jorginho Melo disse que foi “cercado de desrespeitado por indígenas em José Boiteux”. Sem dizer nomes, ele atacou políticos que “mentiram” sobre a obra na barragem e acusou governos anteriores, chamando-os de “molengas”.
O governador também disse que está fazendo uma obra que “não era feita há 20 anos” para prevenção de enchentes e que está cumprindo o acordo com a comunidade indígenas, principalmente na construção de mais de 40 casas populares no local.
O que pensa o Portal O Auditório a respeito:
A obra de reforma na barragem é mais do que importante, mas fundamental para redução dos impactos de cheias no Médio Vale do Itajaí, principalmente em um ano com a presença do fenômeno climático El Niño, ainda com efeitos imprevisíveis. Por outro lado, todo protesto pacífico é legítimo, principalmente da comunidade indígena, que viu ao longo dos tempos suas terras serem ocupadas por governos e várias sequências de descumprimentos de acordos, mesmo que tenham ocorrido no passado.
Mas, independentemente dos motivos da visita e da importância da barragem, a postura do governador, com xingamentos e palavras de baixo calão, estão muito longe da postura esperada para um chefe de governo.
Ao agir de improviso e sem roteiro definido por sua equipe, o político chama a atenção e choca todos os que não conheciam esse seu lado. No entanto, em tempos de polarização política, avalia-se que este fato pouco deve influenciar na opinião pública quanto às preferências nas urnas neste ano. Isso porque o julgamento dos eleitores parece já estar formado há muito tempo, e escândalos políticos – outrora devastadores de carreiras – normalmente causam poucos arranhões na atualidade para quem está firme e agarrado ao seu polo ideológico.






