Um terço dos apostadores esportivos, nas famosas bets, está endividado e inadimplente. Os dados são da pesquisa de opinião do Instituto Locomotiva feita no início de agosto e divulgada pela Agência Brasil. O estudo ouviu mais de 2 mil entrevistados em 142 cidades brasileiras, entre 3 e 7 de agosto.
Segundo o levantamento, três quartos dos apostadores são das classes CDE – sendo 46% jovens entre 19 e 29 anos. Mais recentemente, o Instituto Alana denunciou perfis de influenciadores mirins nas redes sociais que promovem sites de apostas entre crianças.
Vícios de apostas, dependência digital, transtornos de jogos ou ludopatia já foram diagnosticados clinicamente por médicos como os profissionais da equipe do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde há um programa ambulatorial para pessoas afetadas.
Em outra pesquisa realizada em janeiro deste ano pelo mesmo instituto, 51% dos entrevistados têm utilizado recursos que iriam para a poupança nas apostas. O levantamento mostra que 48% tem redirecionado o dinheiro que gastaria em bares, restaurantes e delivery.
Os impactos e efeitos sobre a economia já haviam sido apontados pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Segundo pesquisa de opinião feita para a entidade em maio, entre os que apostam, 64% reconhecem que utilizam parte da renda principal para tentar a sorte; 63% afirmam que tiveram parte da sua renda comprometida com as apostas online; e 23% deixou de comprar roupa, 19% itens de mercado, 14% produtos de higiene e beleza, 11% cuidados com saúde e medicações.
Número de bets cresce cada vez mais
Enquanto muitos apostadores se endividam, há 113 pedidos de registros formalizados até semana passada no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap) do governo federal por bets. Não há a certeza neste momento qual é o número real de empresas do gênero já instaladas no país, pois a quantidade exata só sairá quando todas estiverem autorizadas e funcionar. O prazo para se candidatarem à outorga terminou em 20 de agosto.
Atualmente, as bets não arrecadam nenhum real em tributos pelas apostas no Brasil. A estimativa da Associação Nacional de Jogos e Loterias é que a atividade regulamentada terá carga tributária entre 32% e 36%, e possa gerar 100 mil empregos diretos e indiretos nos próximos cinco anos. Segundo a entidade, o mercado regularizado deve movimentar R$ 25 bilhões em 12 meses.








